12 de dezembro de 2016

Projeto 52 objetos | aquele de nº 20

52 objetos

Hei de reconhecer que meu Projeto 52 objetos foi um fiasco, uma vez que dezembro chegou e eu sequer consegui chegar à metade dele. Mas o fato é que não queria vir aqui para cumprir tabela, com objetos que não dizem muita coisa sobre a minha vida, só para estar tudo atualizadinho. Vocês sabem como sou…

projeto 52 objetos - mafalda e susanita

O quê: Bonecas Mafalda e Susanita
Por quê: Porque sou fã das personagens de Quino ♥
Onde está: Na estante da sala
De onde veio: Compradas em Buenos Aires, na praça de San Telmo, onde fica a estátua da Mafalda

Para compensar o atraso, separei não um, mas dois objetos que são muito xodó. As bonecas em pano da Mafalda e da Susanita, personagens do quadrinista argentino Quino.

Veja também: 4 lições de vida que aprendi com a Mafalda.

A Mafalda certamente vocês já conhecem de tirinhas nos livros didáticos ou até mesmo de posts relacionados a movimentos sociais no Facebook. Ela é contestadora, feminista e bastante pragmática. Seu discurso nos faz refletir sobre as amarras da sociedade sul-americana da década de 1960, em plena ditadura militar, e nos garante váááárias risadas. Não por acaso foi objeto de estudo do meu mestrado. Sou super apaixonada por ela. :)

Mas foi justamente lendo todas as tirinahs de Quino que também me apaixonei perdidamente pela melhor amiga de Mafalda, Susanita! ♥

Susanita é o oposto de tudo o que acredito, de toda a minha ideologia. É o machismo em pessoa. Retrata o sonho da mulher daquela época: casar com um marido lindo e rico, ter muitas coisas (compradas por ele, claro) e muitos filhos. Aliás, seu objetivo maior na vida é ser mãe. Mãe de um filho médico, que fique claro! hahaha.

Ela é tão diferente de mim e seus sonhos são tão limitados que percebo nela nada mais que uma reprodução natural dos costumes da época. E que, num outro contexto, ainda fazemos muito!

Reproduzimos diariamente padrões sociais sem contestá-los. Coisas simples mesmo, sabe? Entao, hoje, não tenho coragem de condenar a Susanita da década de 1960. Foi ela que me deu o prazer de rir sem parar nas mais de duas mil tirinhas do Quino.

Com-ple-ta-men-te diferentes, Mafalda e Susanita conseguem ser melhores amigas! Não é incrível? E o quadrinista retrata super bem essa relação – nem sempre fácil –  entre suas opiniões tão divergentes.

Quando alguém chega aqui em casa e fica entusiasmado ao ver a boneca da Mafalda, faço questão de mostrar a de Susanita também. E de explicar o porquê de ela ser tão importante para o desenvolvimento dos questionamentos de Mafalda. Parece contraditório, mas não há como abraçar uma sem a outra.

Em termos práticos, é como se Mafalda representasse, hoje, muitas de nós e Susanita representasse muitas das nossas mães e avós e bisavós.

Acho lindo as duas juntas e quero muito completar a coleção numa próxima viagem a Buenos Aires. :)

Gostaram? Pelo visto, vamos continuar o Projeto 52 objetos em 2017, né?! hehehehe

Jéssica Vieira
Jéssica Vieira
30 de abril de 2015

4 lições de vida que aprendi com a Mafalda

Cotidiano

Mafalda_capaConfesso que sou apaixonada por histórias em quadrinhos e quando há um personagem inteligente, que me desperta reflexões, aí é que o amor me pega de jeito! <3

Foi assim com a Mafalda, criação do cartunista argentino Joaquín Lavado, popularmente conhecido como Quino. Curiosa, é através do rádio e da televisão que procura explicações sobre os problemas mundiais, avaliando o contexto sociopolítico da época [ditadura argentina] por meio da vivência familiar, do convívio com seus amigos e das situações cotidianas que, muitas vezes, parecem injustas e contraditórias diante de tudo que lhe é ensinado no dia a dia.

Bem-humorada, irônica e cheia de atitude. Posso dizer sem medo que Mafalda é meu xodó dos quadrinhos! Para você ter noção, não só li toooodas as tirinhas (são mais de 2.000!) como também levei a “pequena infante” para ser tema da minha dissertação no mestrado. No entanto, o aprendizado que ela me deixou pouco se atém ao universo acadêmico, amplia-se à vida:

1 – Se a gente não disser, ninguém vai adivinhar

mafalda_informacao

Muitas vezes, nutrimos sentimentos de amor, afeto, tristeza, mágoa ou até mesmo raiva por alguém e, por mais que eles nos pareçam óbvios, a outra pessoa nunca terá ideia dos nossos pensamentos se não os dissermos.

Não estou falando do “eu te amo” mecânico ao fim de uma conversa por telefone ou de um “eu nunca mais quero te ver” depois de uma discussão. Falo de elogios ditos depois de uma conquista, de conversas francas depois das brigas, de pedidos de desculpas, de afastamentos sem joguinhos ou de um e-mail escrito para aquele amigo que você não vê há um bom tempo.

No que diz respeito a sentimentos, informação liberta a alma.

2 – A sua vida não está sob seu total controle

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Talvez essa seja a coisa mais difícil de aceitar porque, de forma geral, queremos que as coisas saiam do jeitinho que planejamos. No entanto, basta a primeira dezena chegar ao RG para percebermos que não é tão simples assim.

Você traça seus objetivos, se esforça para alcança-los, mas nada – absolutamente nada – garante que eles chegarão na hora que imaginou. Já dizia Drummond: “No meio do caminho, tinha uma pedra”. E, se ela for grande, você precisará se reorganizar. Aconteceu comigo e acontece com todo mundo diariamente.

Vi meu irmão conversando normalmente e, segundos depois, entrando em coma num hospital. Cancelei uma viagem faltando menos de 24h para embarcar porque não sabia se estava fazendo o melhor pra mim. Peguei um avião sem pensar duas vezes só para ver um amigo por um dia e matar a saudade… Já me surpreendi com situações absolutamente despretensiosas e me decepcionei quando vi que muita coisa que desejei nem era tão boa assim.

É preciso ter coordenação motora se quiser pintar a vida porque de tracejada ela não tem nada.

3 – Amizade é fruto das diferenças

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Eu tenho amigos que são tão diferentes de mim que, às vezes, fico me perguntando como sobrevivemos uns aos outros. Sério! Mas o fato é que são justamente essas pessoas que nos fazem enxergar o mundo sob outras perspectivas e entender que amizade é fruto das diferenças.

Não tem muito o que explicar. Ninguém escreve num caderninho características ideais para construir uma amizade. E, certamente, se você tivesse essa oportunidade, iria descrever todos os seus amigos do jeitinho que eles são. Inclusive, com todos os motivos pelos quais, de vez em quando, vocês se odeiam.

4 – Dinheiro não é sinônimo de prosperidade

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É incrível como as pessoas se baseiam no capital para ilustrarem suas perspectivas de vida. “Quero passar num concurso para ganhar mais dinheiro”, “Vou investir em imóveis porque dá mais dinheiro”, “É melhor você desistir de Enfermagem e cursar Medicina porque dá mais dinheiro”, “É melhor que ele aprenda três idiomas porque é o que dá mais dinheiro”.

Óbvio que vivemos num mundo capitalista, onde o direito de ir e vir custa, no mínimo, a passagem de ônibus. Mas até quando mediremos a nossa felicidade pelo dinheiro acumulado?

Existem cargos de ouro que aprisionam a alma. Existem pessoas que libertam a alma por muito pouco. Prosperidade é saber administrar a vida porque daqui a 30 anos você pode ter acumulado uma fortuna, mas daqui a três minutos você pode estar perdendo tudo.

Mafalda me ensinou tudo isso e muito mais! Sou grata a ela não só pelas mais de duas mil tirinhas que precisei ler para estudá-la a fundo, mas pelas lições de vida que me deu em cada página. Mafalda é muito, muito ♥.

A coletânea com todas as tirinhas da Mafalda pode ser encontrada aqui.

Jéssica Vieira
Jéssica Vieira
12 de novembro de 2013

Sobre fazer intercâmbio #2: como o destino escolhe o destino

Argentina, Intercâmbio, Viagem

Quando me perguntam como e por que escolhi Buenos Aires para fazer meu primeiro intercâmbio, sempre respondo que “a vida escolheu por mim”.  Por mais piegas que isso pareça (e pelas três viagens que planejei, sem êxito, para a Argentina) é a mais pura verdade.

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Mafalda, a grande responsável pelo meu intercâmbio (Foto: Maíra Ramos)

Só para você ter uma noção: em 2006, cursava paralelamente dois idiomas no Instituto Canadá. Com a minha monografia, em 2008, tive que largar o Inglês, pois também era a conclusão do Espanhol e eu preferi me formar com uma língua estrangeira fluente. No mestrado, ingressei com um projeto sobre a Revista Capricho e, por algumas restrições acadêmicas, fui “conduzida” à mudança do objeto de estudo. Precisava, então, de uma abordagem inteligente, desafiadora, mas que me desse prazer em estudar, que me fizesse rir. Foi assim que surgiu a ideia de estudar a Mafalda, personagem do desenhista argentino Joaquín Salvador Lavado, o Quino.

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Capa da dissertação do Mestrado

De lá para cá, uma série de coisas (boas e ruins) aconteceram, mas, na verdade, acredito que tudo estava me levando ao momento certo de “sair de cena” e de conhecer a Mafalda mais de perto , no seu lugar de origem. Espanhol concluído, término do mestrado com objeto de estudo argentino, desejo antigo de conhecer as terras vizinhas… Foi tudo tão natural que defendi a dissertação num dia e, no outro, estava… no aeroporto!!!!

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O encontro do ano!

Assim como Paris não é só o Louvre, Buenos Aires também não é só a Mafalda, nem o tango, nem carne+vinho. Toda a cultura argentina já  me era fascinante mesmo antes de pôr os pés na Casa Rosada. A admiração, neste caso, já contava uns pontinhos positivos para que tudo fosse mais tranquilo.

O destino da sua viagem pode ser uma grande surpresa, mas siga sempre a sua intuição. Isso não quer dizer, porém, que você deva seguir o que lhe é mais cômodo. Uma cidade que lhe pareça desafiadora e dê um “medinho” pode ser uma excelente opção!

É como seguir as pistas de um tesouro, sabe?! Melhor focar sempre no resultado…

Jéssica Vieira
Jéssica Vieira